Para alcançar seu campo base, é preciso enfrentar cerca de dez dias de caminhada pelo imponente Glaciar Baltoro — um dos mais extensos fora das regiões polares, atravessando paisagens de rara beleza entre colossos da natureza.
Durante o percurso, destacam-se montanhas lendárias como o Broad Peak, o Nanga Parbat, o Gasherbrum I e II, além de inúmeras outras com mais de sete mil metros de altitude. Trata-se de uma experiência singular, que nos transporta para um cenário quase alienígena.
É um trekking rústico, exigente e repleto de desafios, destinado àqueles que não apenas apreciam a natureza em sua forma mais selvagem, mas que também estão dispostos a sair da zona de conforto em busca de algo verdadeiramente extraordinário.
Paquistão
21 dias
Alta
Dia 1 – 12/06 – Chegada em Islamabad – Paquistão
Sua jornada começa com a chegada ao Aeroporto Internacional de Islamabad, onde
nossa equipe estará esperando para recebê-lo e acompanhá-lo até o hotel. Após o
traslado, você será recebido com um chá ou café de boas-vindas, um momento
agradável para relaxar após o voo e também começar a conhecer os demais
integrantes do grupo. Depois disso, será hora de descansar e recuperar as energias da viagem. À noite, teremos um jantar juntos, para um briefing completo sobre o trekking ao Campo Base do K2, alinhando os principais detalhes da expedição e preparando você para tudo o que está por vir.
Acomodação: Hotel
Refeições: Café da manhã
Dia 2 – 13/06 – Voo de Islamabad para Skardu a 2.230 m (45 minutos)
Hoje seguiremos ao aeroporto para embarcar em um voo espetacular até Skardu.
Durante o trajeto, em condições favoráveis, é possível admirar algumas das paisagens
mais impressionantes da região, incluindo o Nanga Parbat, com 8.126 metros, além
de outros grandes picos do Karakorum. Na chegada a Skardu, nossa equipe fará o traslado até o hotel do grupo, onde você também terá o primeiro contato com parte da equipe local e alguns carregadores. O restante da tarde será livre para conhecer a cidade com tranquilidade.
Skardu é a capital administrativa da histórica região do Baltistão, uma área que já foi um dos mais importantes reinos dos Himalaias. Seus habitantes, conhecidos como povo Balti, têm origens tibetanas e mongóis. A língua local, o balti, possui raízes no sânscrito e semelhanças marcantes com o tibetano. Não por acaso, Baltistão também é chamado de Pequeno Tibete, por suas tradições, cultura e arquitetura.
Observação: os voos para e a partir de Skardu dependem de boas condições de
visibilidade. Como o aeroporto está localizado em um vale estreito, o pouso exige
clima favorável. Ainda assim, com as melhorias recentes no aeroporto, os cancelamentos diminuíram muito e hoje são pouco frequentes.
Caso o voo seja cancelado, algo raro, a viagem seguirá por estrada até Naran para
pernoite, com continuação até Skardu no dia seguinte. O trecho entre Islamabad e
Naran tem 281 km e leva cerca de 9 horas. De Naran a Skardu, são aproximadamente
10 horas de viagem pela Karakorum Highway, acompanhando os impressionantes
rios Gilgit e Indo. Viajar por essa estrada lendária é tão marcante quanto o próprio
voo.
Acomodação: Hotel
Refeições: Café da manhã
Dia 3 – 14/06 – Dia de contingência em caso de atrasos
Acomodação: Hotel
Refeições: Café da manhã
Dia 4 – 15/06 – Dia livre para conhecer Skardu e preparação
Hoje será mais um dia em Skardu, aproveitado tanto para passeios quanto para os
preparativos finais da logística, documentação e transporte da expedição. Esta cidade
histórica é a grande porta de entrada para regiões icônicas como Gondogoro La, Pico
Leila, Pico Mitre, Torre Muztagh, Geleira Vigne e diversos vales montanhosos do
Karakorum.
Skardu fica às margens do Rio Indo, que separa o Karakorum dos Himalaias. A
cidade possui um longo bazar com lojas distribuídas ao longo da estrada principal.
Seu centro é o Yadgar Chowk, um memorial dedicado àqueles que morreram lutando
pela libertação de Gilgit-Baltistão do domínio Dogra, entre 1947 e 1948.
Entre os principais atrativos está o Forte Kharpocho, construído no fim do século
XVI sobre uma formação rochosa com vista privilegiada para a cidade. Após a visita
ao forte, seguiremos até o Lago Sadpara, conhecido por suas águas cristalinas e
localizado a apenas 20 minutos de carro de Skardu. O almoço poderá ser feito por lá.
No retorno, visitaremos a famosa Rocha de Buda, do século VIII, um importante
vestígio do budismo na região antes da chegada do Islã, no século XIV.
A partir dali, também é possível seguir até a vila de Kachura, onde se pode conhecer
mais da vida rural nesse vale montanhoso. A vila é famosa por seus dois lagos
naturais, o Lago Superior de Kachura e o Lago Shangrila. Quem quiser, poderá fazer
uma pausa para um chá em um dos restaurantes à beira do Lago Superior de Kachura.
Após o passeio, retornaremos ao hotel para o jantar.
Aproveite bem esta última noite em cama confortável, pois a partir de amanhã o
restante da aventura será em barracas e saco de dormir, até o retorno a Skardu.
Observação: se a estrada entre Askole e Johla estiver bloqueada, hoje seguiremos pela
parte da manhã de 4×4 até Askole para pernoite.
Acomodação: Hotel
Refeições: Café da manhã
Dia 5 – 16/06 – Viagem de 4×4 até Johla via Askole – 3.075 m
Hoje sairemos cedo em jipes para seguir pela estrada sinuosa de Shigar,
acompanhando os rios Indo e Shigar até chegar a Askole. Essa pequena vila de
montanha é o último povoado habitado do Vale de Shigar e marca a transição entre a
civilização e a imensidão selvagem do Karakorum.
Ao chegar, você conhecerá mais membros da equipe local e outros carregadores,
além de poder observar a arquitetura simples da vila, com casas tradicionais de
madeira, e entender um pouco mais da cultura e do cotidiano em altitude. Os
moradores de Askole recebem montanhistas há muitas gerações e são conhecidos por
sua hospitalidade, simplicidade e simpatia. É comum convidarem visitantes para um
chá e oferecerem pequenos lanches como gesto de boas-vindas.
Caminhando pela vila, é possível ver os moradores em seus campos de milho e
cevada, além de aproveitar as últimas paisagens verdes, árvores de damasco e
vegetação antes de entrar definitivamente no ambiente mais árido e remoto da
expedição. Como o sol nessa altitude já é bastante forte, é importante manter à mão
protetor solar, chapéu e água para evitar queimaduras e desidratação.
Desde 2021, a estrada entre Askole e Johla foi ampliada, permitindo que a viagem
siga além de Askole. Após uma breve parada, continuaremos até o acampamento de
Johla para pernoite. A partir desse ponto, a sensação é clara: estamos deixando para
trás o último sinal constante de habitação e entrando na natureza selvagem do
Karakorum.
O trajeto é relativamente tranquilo, por terreno seco e mais plano. Em seguida, o vale
se abre e revela a imponente Geleira Biafo. Você terá o primeiro contato com a
morena glaciar, seguindo até o antigo acampamento de Korfong, um ponto histórico
que também serve de acesso para outras rotas famosas, como o circuito de
Gondogoro La, o Snow Lake Trek e o Hispar Lake Trek.
Depois de Korfong, continuaremos ao longo do Rio Braldu até a junção com o Rio
Panma. Um pequeno desvio montanha acima leva à ponte que cruza o rio e dá acesso
ao acampamento de Johla. Johla é um dos primeiros acampamentos estruturados darota, com pias, instalações de lavagem e banheiros construídos pelo departamento de
turismo. A partir de Askole, a distância até o Campo Base do K2 é de
aproximadamente 90 quilômetros.
Diferente do trekking ao Campo Base do Everest, nesta rota você dormirá em barraca
durante toda a jornada.
Observação: se a estrada entre Askole e Johla estiver bloqueada, faremos hoje a
caminhada entre esses dois pontos.
Distância: 141 km
Tempo de viagem: 8 horas
Dia 6 – 17/06 – Trekking até Paiju – 3.420m
Hoje começa oficialmente o trekking ao Campo Base do K2. Após organizar seu
equipamento, iniciaremos a caminhada rumo ao acampamento de Paiju, dentro do
Parque Nacional Central do Karakorum. Ao longo de toda a expedição, os
carregadores e a equipe de cozinha seguirão à frente para montar as barracas e
preparar as refeições antes da chegada do grupo.
A trilha começa acompanhando o desfiladeiro do Rio Braldu antes de ganhar terreno
mais alto. Dependendo do nível da água, poderá ser necessário atravessar alguns
pequenos riachos. Nesses pontos, sandálias esportivas ou tênis mais antigos podem
ser bastante úteis.
O acampamento de Paiju fica em uma encosta protegida, aos pés do Pico Paiju, e
conta com boas instalações, como pias, banheiros e áreas organizadas para o
camping, mantidas pelo departamento de turismo. É uma das paradas mais
tradicionais de toda a rota, tanto para trekkers quanto para expedições de escalada.
Aqui, além de descansar, você poderá conhecer pessoas de outras equipes e trocar
experiências sobre a montanha. Em muitas noites, os carregadores Balti organizam
um momento especial ao redor da fogueira, com música, cantos e danças tradicionais.
Deste ponto já se pode observar a imensa Geleira Baltoro e as impressionantes Torres
Trango.
Distância: 21 km
Tempo: 6 horas de caminhada
Subida: 580 metros
Descida: 335 metros
Acomodação: Camping com serviço completo
Refeições: Café da manhã, almoço e jantar
Dia 7 – 18/06 – Trekking até Khoburtse – 3.795 m
Hoje você terá seu primeiro grande contato com a impressionante Geleira Baltoro,
uma das maiores massas de gelo fora das regiões polares. Cerca de uma hora de
caminhada após deixar o acampamento, chegaremos ao início da geleira.
Ao longo do percurso, o som da água correndo sob o gelo e a paisagem de pedras,
gelo e montanhas formam um cenário verdadeiramente único. Não é necessário
utilizar cordas, piolet ou equipamentos técnicos de escalada para caminhar sobre a
Baltoro, mas o terreno irregular pode ser desafiador para algumas pessoas.
Caminhar sobre essa geleira também desperta a imaginação: muitas das pedras sob
seus pés podem ter vindo de montanhas icônicas como Broad Peak, Gondogoro La e
os maciços de Gasherbrum.
Após cerca de quatro horas de caminhada, chegaremos ao acampamento de Liligo,
onde faremos uma pausa para o almoço. Nas encostas rochosas acima do
acampamento, é possível com muita sorte, avistar íbex do Himalaia (Cabraselvagem-
montesa), leopardos-das-neves e outros animais selvagens. Depois do
almoço, seguiremos pela morena até subir uma encosta mais íngreme que leva a uma
área de pastagens alpinas, caminho que nos conduz ao acampamento de Khoburtse.
Khoburtse está localizado em terreno plano, ao lado da Geleira Baltoro. Embora não
tenha as mesmas facilidades de lavagem dos acampamentos anteriores, oferece vistas
impressionantes do Uli Biaho e da Torre Trango.
Distância: 15 km
Tempo de caminhada: 7 horas
Subida: 640 metros
Descida: 220 m
Acomodação: Barracas com serviço completo
Refeições: Café da manhã, almoço e jantar
Dia 8 – 19/06 – Trekking até Urdukas – 3.900 m
A manhã começa com uma xícara de chá quente e uma vista inesquecível do nascer
do sol iluminando a Torre Trango. O dia de hoje é mais curto, mas exige esforço, já
que a trilha sobe constantemente pela morena ondulada, ganhando altitude
gradualmente.
Grande parte do trajeto segue pela morena lateral da Geleira Baltoro, com alguns
trechos sobre sua própria superfície. No caminho, passaremos pelas chamadas Torres
Sem Nome até alcançar o acampamento de Urdukas no início da tarde. Ele fica cerca
de 100 metros acima da geleira, em uma posição privilegiada.
Urdukas é um lugar histórico e um dos acampamentos mais marcantes da rota. Sua
localização, acima da Baltoro, oferece uma vista espetacular do Cathedral Peak. Em
1909, o Duque de Abruzzi e sua equipe utilizaram este mesmo local em sua
expedição ao K2. Além disso, Urdukas é o último acampamento com banheiros, pias
e estrutura de descarte de resíduos, então vale a pena aproveitar.
O restante da tarde será livre para descansar ou subir a encosta atrás do
acampamento, de onde se tem uma vista panorâmica extraordinária da geleira
Baltoro.
Distância: 6 km
Tempo: 4 horas de caminhada
Subida: 250 m
Descida: 40 m
Acomodação: Camping com serviço completo
Refeições: Café da manhã, almoço e jantar
Dia 9 – 20/06 – Dia de aclimatação e descanso em Urdukas – 3.900 m
Hoje será um dia de descanso e aclimatação em Urdukas. Em altitude, subir com
calma é fundamental, e essa pausa dá ao corpo mais tempo para se adaptar ao ar
rarefeito. Os efeitos da altitude começam a ser perceptíveis geralmente acima de
2.500 metros, e a partir daí a pressão atmosférica diminui, o que reduz a quantidade
de oxigênio disponível no organismo.
Esse processo pode causar diferentes reações, como aumento da frequência cardíaca e
respiratória, fadiga muscular, alterações no sono, mudanças no metabolismo, retenção
de líquidos e inchaços leves nas mãos, pés e rosto. Por isso, a aclimatação bem feita é
uma das partes mais importantes para a segurança e o sucesso da jornada.
Muitos grupos fazem seu dia de descanso em Paiju, mas ao longo dos últimos 40
anos foi observado que descansar em Urdukas se mostrou mais eficiente para a
adaptação e a segurança antes de avançar para altitudes mais elevadas. Essa estratégia
tem funcionado muito bem com grupos de trekking ao Campo Base do K2.
Urdukas é um acampamento histórico, em uma área gramada na borda da Geleira
Baltoro, com boas facilidades para limpeza e organização. Há pequenas caminhadas
ao redor do acampamento para quem quiser se movimentar um pouco, sempre com
panoramas incríveis de Gasherbrum e Broad Peak.
Acomodação: Camping com serviço completo
Refeições: Café da manhã, almoço e jantar
Dia 10 – 21/06 – Trekking até Goro – 4.295 m
Depois do dia de descanso em Urdukas, hoje seguiremos rumo a Goro. Ao deixar o
acampamento, passaremos por um cemitério de carregadores que perderam a vida na
região do Baltoro. É comum que os carregadores façam uma breve parada nesse local
para prestar suas homenagens e fazer uma oração.
A caminhada segue pela morena até encontrarmos acesso à superfície da Geleira
Baltoro. Uma vez sobre o gelo coberto de pedras, o terreno se torna mais contínuo.
Aos poucos, surgirá diante de você a espetacular silhueta do Masherbrum, com 7.821
metros, conhecido como a rainha do Karakorum por sua beleza.
Continuando a subida, o Gasherbrum IV se destaca ao fundo, quase como se estivesse
guiando o caminho até o K2. A trilha prossegue sobre a superfície irregular da
Baltoro, entre ondulações de gelo e rocha, até Goro I, onde faremos almoço e uma
breve pausa. Em seguida, caminharemos mais algumas horas até Goro II, onde
montaremos acampamento.
O acampamento de Goro II fica sobre a superfície rochosa da geleira Baltoro,
próximo a um antigo posto do exército. É um local amplo, com bastante espaço para
as barracas. Hoje você dormirá diretamente sobre a geleira, então será importante
usar boas camadas de roupa para manter o corpo aquecido.
Distância: 12 km
Tempo: 7 horas de caminhada
Subida: 330 m
Descida: 90 m
Acomodação: Camping com serviço completo
Refeições: Café da manhã, almoço e jantar
Dia 11 – 22/06 – Trekking até Concordia – 4.500 m
Hoje é um dos dias mais aguardados de toda a expedição. Pela manhã, seguiremos até
Concordia, um dos lugares mais extraordinários do planeta, conhecido como a sala do
trono dos deuses das montanhas. Localizada a 4.500 metros de altitude, Concordia
está na junção entre a Geleira Baltoro Superior e a Geleira Godwin-Austen. O nome
foi dado pelo famoso explorador e alpinista Sir Martin Conway.
Ao chegar, a sensação é de estar cercado por gigantes. Todas aquelas montanhas que
até então eram vistas de longe agora se erguem ao seu redor de forma monumental.
Você estará diante dos poderosos Gasherbrum II, III e IV, do Pico Mitre, do
Chogolisa, do Broad Peak e, pela primeira vez, do incrível K2, a segunda montanha
mais alta da Terra, com 8.611 metros.
Concordia é um lugar amplo, com bastante espaço para montar o acampamento, mas
costuma ser ventoso à noite. Por isso, será importante usar roupas adequadas para
manter-se aquecido.
Passar a noite em Concordia, em meio a um cenário tão grandioso, é uma experiência
que poucas pessoas no mundo têm a oportunidade de viver.
Distância: 12 km
Tempo: 5 horas de caminhada
Subida: 290 m
Descida: 5 m
Acomodação: Camping com serviço completo
Refeições: Café da manhã, almoço e jantar
Dia 12 – 23/06 – Trekking ao Campo Base do K2
Hoje deixaremos Concordia para seguir rumo ao verdadeiro coração desta expedição:
o lendário Campo Base do K2. Para muitos, este é o dia mais aguardado de toda a
jornada. A partir daqui, a sensação de isolamento, grandeza e imersão nas montanhas
se intensifica ainda mais.
A caminhada segue pela impressionante Geleira Godwin-Austen, em um ambiente
completamente dominado por gelo, morenas glaciares, rocha e algumas das
montanhas mais icônicas do planeta. Diferente dos dias anteriores, a sensação agora é
de estar caminhando diretamente para dentro do universo das grandes expedições
himalaianas.
Ao longo do percurso, o K2 vai se revelando cada vez mais próximo e imponente.
Com seus 8.611 metros de altitude, a segunda montanha mais alta da Terra transmite
uma presença única, austera e profundamente respeitável. Estar caminhando em sua
direção é uma experiência difícil de traduzir em palavras.
Após algumas horas de caminhada sobre terreno glaciar irregular, finalmente
chegaremos ao Campo Base do K2. Este é um dos acampamentos de alta montanha
mais icônicos do planeta, servindo como ponto de partida para as expedições que
tentam alcançar o cume de uma das montanhas mais técnicas e exigentes do mundo.
Passar a noite no Campo Base do K2 é uma experiência rara e memorável. Cercado
por gigantes como Broad Peak, Gasherbrum e o próprio K2, você estará vivendo
exatamente o ambiente onde alguns dos maiores nomes do alpinismo mundial
escreveram história.
Distância: aproximadamente 10 a 12 km
Tempo de caminhada: 6 a 8 horas
Acomodação: camping no Campo Base do K2
Refeições: café da manhã, almoço e jantar
Dia 13 – 24/06 – Dia de descanso no Campo Base do K2
Hoje será um dia inteiro dedicado ao descanso e contemplação em um dos lugares
mais extraordinários da Terra.
Dormir no Campo Base do K2 já é, por si só, uma experiência transformadora.
Acordar cercado por algumas das montanhas mais impressionantes do planeta,
observando o movimento das equipes de expedição, carregadores de altitude e
alpinistas preparando tentativas de cume, torna este dia absolutamente especial.
A aclimatação continua sendo um fator essencial para segurança e conforto em
altitude, e esta pausa permite ao organismo adaptar-se melhor ao ambiente de quase
5.000 metros, além de oferecer margem estratégica caso as condições climáticas
exijam algum ajuste no cronograma.
Quem desejar poderá aproveitar o dia para pequenas caminhadas nos arredores do
campo base, observar de perto a dinâmica das expedições internacionais ou visitar o
famoso Memorial Gilkey, um local simbólico e emocionante que homenageia os
alpinistas que perderam a vida tentando escalar o K2. O memorial leva o nome de Art
Gilkey, membro da histórica expedição americana de 1953, e se tornou um espaço de
respeito e contemplação para montanhistas do mundo inteiro.
Pouquíssimas pessoas no mundo têm a oportunidade de passar uma noite no Campo
Base do K2, e menos ainda de vivenciar esse ambiente com tempo suficiente para
realmente sentir a atmosfera do Karakorum profundo.
Acomodação: camping no Campo Base do K2
Refeições: café da manhã, almoço e jantar
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Opcional — retorno via Gondogoro La Pass (5.585 m)
Caso as condições climáticas, as condições da rota, as permissões locais e a
capacidade técnica do grupo permitam, existe a possibilidade de realizar o retorno
por uma rota alternativa através do famoso Gondogoro La Pass, a 5.585 metros de
altitude.
Essa travessia é considerada uma das rotas mais espetaculares de todo o Paquistão,
oferecendo uma perspectiva completamente diferente do Karakorum e vistas
absolutamente impressionantes de gigantes como K2, Broad Peak, Gasherbrum e
Masherbrum.
Por se tratar de uma travessia alpina mais técnica, esta opção exige boas condições
da montanha, suporte técnico especializado, uso eventual de cordas fixas e uma
equipe preparada para esse tipo de progressão. Quando possível, porém,
transforma a expedição em uma experiência ainda mais extraordinária.
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Dia 14 – 25/06 – Trekking até Goro – 4.295 m
A parte de subida do trekking está oficialmente completa. Hoje iniciaremos o retorno,
refazendo o mesmo caminho de volta em direção a Islamabad. Após arrumar o
equipamento, nos despediremos do K2 e começaremos a descida pelo Baltoro.
Aos poucos, o K2 e outros gigantes do Karakorum vão ficando para trás, enquanto o
Gasherbrum IV volta a se destacar ao longe. Ao mesmo tempo, as fileiras de torres de
granito, os pináculos de Lobsang, o Cathedral e as Torres Trango voltam a ocupar o
horizonte. Diretamente ao sul, o Masherbrum se mostra mais uma vez com sua forma
marcante.
Chegaremos ao acampamento de Goro no início da tarde. O lugar tem uma atmosfera
muito especial, e como o grupo já estará na fase de retorno, é comum que a equipe
local celebre o sucesso da jornada com música, ritmo improvisado e canções
tradicionais Balti. Esses momentos simples acabam se tornando algumas das
lembranças mais autênticas da viagem.
Distância: 12 km
Tempo: 7 horas de caminhada
Subida 30 m, descida 400 m
Acomodação: Camping com serviço completo
Refeições: Café da manhã, almoço e jantar
Dia 15 – 26/06 – Trekking de volta a Khoburtse, 3.795 m
Hoje continuaremos o retorno pela Geleira Baltoro em direção a Khoburtse.
Curiosamente, a paisagem parece completamente diferente na descida. Aquilo que
antes aparecia sob outro ângulo agora revela novos contrastes, novas linhas e outra
percepção das montanhas ao redor.
Com a perda gradual de altitude, a temperatura tende a ficar mais agradável e o ar
mais rico em oxigênio. Os enormes pináculos de granito, que pareciam abaixo de
você nos dias anteriores, agora se elevam outra vez acima da trilha.
Passando por Urdukas e pelo histórico acampamento ligado ao Duque de Abruzzi,
será inevitável admirar a coragem e a resistência dos primeiros exploradores que
enfrentaram essas montanhas em condições ainda mais duras. O almoço será servido
no chamado terraço do Duque, com uma vista espetacular sobre a Baltoro em direção
ao Biale Peak, que costuma permanecer escondido, exceto desse ponto.
Depois do almoço, desceremos pelo vale estreito, alternando trechos sobre a geleira e
sobre a morena, até chegar a Khoburtse. Este acampamento marca, de certa forma, a
transição entre o vale do Braldu e a imensidão da Baltoro. Já será possível notar
novamente manchas verdes nas encostas mais baixas do Pico Paiju, indicando a
proximidade de áreas com água e vegetação.
Distância: 14 km
Tempo: 7 horas de caminhada
Subida 100 m, descida 470 m
Acomodação: Camping com serviço completo
Refeições: Café da manhã, almoço e jantar
Dia 16 – 27/06 – Trekking de volta a Paiju – 3.420 m
Após o café da manhã, seguiremos em direção a Paiju, sempre com a impressionante
Torre Trango compondo o cenário ao fundo. Para isso, caminharemos rumo ao sul,
atravessando a região da Geleira Liligo. Duas décadas atrás, a frente da Geleira Liligo estava localizada bem mais acima no vale. Com o passar do tempo, a geleira se deslocou e acabou colidindo com a geleira
principal, tornando a travessia mais difícil e, em alguns pontos, perigosa sem o desvio
adequado. Por isso, hoje o caminho segue de forma mais segura.
Depois do desvio e do retorno à geleira principal do Baltoro, cruzaremos sua borda
norte, subindo pelas ondulações do gelo em direção às paredes de Uli Biaho. Em
seguida, a rota desce novamente ao vale, onde reencontra a trilha principal e passa
pela região do focinho da geleira, onde o rio subterrâneo emerge em cascata para
formar o Rio Braldu.
A parte final do dia é mais tranquila, em boa trilha, embora ainda haja uma última
subida antes de alcançar Paiju.
Distância: 15 km
Tempo: 5 horas de caminhada
Subida 220 m, descida 640 m
Acomodação: Camping com serviço completo
Refeições: Café da manhã, almoço e jantar
Dia 17 – 28/06 – Trekking de volta a Johla – 3.150 m
Hoje é o último dia de trekking da expedição ao Campo Base do K2, embora a
aventura ainda não tenha terminado por completo. Após o café da manhã, deixaremos
Paiju e seguiremos de volta por uma boa trilha descendo o vale. Fora da geleira e já
em menor altitude, o clima tende a ser mais quente, o que torna agradável caminhar
cedo e aproveitar o frescor da manhã.
A sensação de estar voltando à civilização depois de duas semanas imerso na natureza
selvagem do Karakorum é muito marcante. Em breve, passaremos pela área de
ablação próxima à Geleira Biafo, conhecida como Korfong, cercada por vegetação
esparsa, gramados secos e arbustos de tamarisco.
Depois de Korfong, a trilha acompanha a morena da Geleira Biafo e segue ao lado do
rio que sai de sua frente, até chegarmos a uma ponte que permite atravessar para a
margem norte. Em seguida, a rota passa por uma ampla área plana conhecida
localmente como Campo de Polo do Rei, antes de subir por uma passagem
conveniente na crista de uma grande rocha. Do outro lado, a trilha desce
abruptamente e segue por um terreno cheio de pedras até alcançar um platô mais
suave.
Na descida, tudo parece diferente em comparação à subida. O caminho sobe e desce
diversas vezes, cruzando leques aluviais e pequenos riachos laterais, usando pontes
improvisadas, pedras ou, às vezes, atravessando a água diretamente, especialmente
nas horas mais quentes do dia. A origem de todos esses riachos é o degelo das
geleiras, que aumenta conforme a temperatura sobe.
Em um determinado ponto, a trilha passa muito perto do rio, ao lado de paredes de
conglomerado, permitindo sentir de perto a força dessa paisagem. Seguiremos o Rio
Braldu até sua confluência com o Rio Panma, de onde tomaremos rumo nordeste até
o local de acampamento próximo à ponte de pedágio em Johla.
Distância: 21 km
Tempo: 7 horas de caminhada
Subida: 450 m
Descida: 600 m
Acomodação: Camping com serviço completo
Refeições: Café da manhã, almoço e jantar
Dia 18 – 29/06 – Viagem de carro de volta a Skardu – 2.230 m
Depois da última noite sob as estrelas, iniciaremos o retorno de carro a Skardu,
passando novamente por Askole. Ao longo do caminho, cruzaremos pequenos vales
laterais e começaremos a perceber de novo os sinais de habitação. Em seguida,
aparecerá o canal de irrigação que leva água do degelo para os campos agrícolas da
vila.
Acompanhar esse canal por um trecho é também uma forma de admirar a capacidade
do povo Balti de transformar um ambiente árido de alta altitude em área produtiva.
Aos poucos, surgem os campos verdes, os muros de pedra e a presença mais evidente
da vida local, marcando a chegada a Askole.
Faremos uma breve parada na vila para nos despedirmos dos carregadores. Muitos
deles são de Askole e, depois de semanas nas montanhas, esse é também o momento
em que eles retornam para casa e reencontram suas famílias. Após as despedidas,
continuaremos viagem pelo Vale de Shigar, acompanhando o Rio Braldu até Shigar,
atravessando a ponte sobre o Rio Indo e seguindo até Skardu.
Depois de tantos dias em ambiente remoto, um banho quente e uma cama confortável
certamente terão um sabor especial.
Distância: 141 km
Tempo: 8 horas
Acomodação: Hotel
Refeições: Café da manhã
Dia 19 – 30/06 – Voo de volta a Islamabad
Hoje seguiremos ao aeroporto para embarcar no voo de retorno a Islamabad. O
Aeroporto de Skardu fica a curta distância do hotel, e o trajeto aéreo oferece
novamente uma despedida impressionante das montanhas, com vistas do Nanga
Parbat, do Gondogoro La e de outros gigantes da região. O voo dura cerca de 45
minutos.
Na chegada a Islamabad, nossa equipe estará esperando para fazer o traslado até o
hotel do grupo. Depois de mais de duas semanas em meio à natureza selvagem do Karakorum, voltar à cidade pode causar uma sensação curiosa. É como se o corpo já estivesse acostumado ao ritmo simples da montanha e precisasse de um tempo para se
readaptar ao movimento urbano.
À noite, você poderá jantar no hotel ou em alguma famosa rua gastronômica da
cidade. A culinária paquistanesa é um dos pontos altos da viagem, então vale muito a
pena aproveitar para experimentar pratos típicos e tornar essa experiência ainda mais
memorável.
Observação: o voo entre Skardu e Islamabad depende das condições climáticas. Se
houver cancelamento por mau tempo, a viagem seguirá por estrada até Astore ou
Naran, em Land Cruiser, via Deosai Plains ou Karakorum Highway, com pernoite no
caminho.
Tempo: 45 minutos
Acomodação: Hotel
Refeições: Café da manhã, almoço e jantar
Dia 20 – 01/07 – Dia de contingência em caso de atrasos (dia livre)
Se o voo para Islamabad tiver ocorrido normalmente no dia anterior, hoje será um dia
livre para explorar a capital paquistanesa. Entre os pontos que podem ser visitados
estão a Praça do Parlamento, a Mesquita Faisal, o Monumento de Islamabad e
também a vizinha Rawalpindi.
Rawalpindi é uma cidade histórica, tradicional e vibrante, que oferece um contato
mais direto com a cultura local. Ela está situada no Planalto Pothohar, uma região
conhecida por sua antiga herança budista, especialmente por sua proximidade com
Taxila. Após um dia de passeios, a sugestão é aproveitar o último jantar no Paquistão
em uma famosa rua gastronômica, saboreando um autêntico curry local e encerrando
a viagem com uma lembrança marcante também pelo paladar.
Caso o voo do dia anterior tenha sido cancelado, este será o dia de continuação da
viagem por estrada desde Astore até Islamabad. O percurso oferece vistas
impressionantes do Nanga Parbat, com 8.126 metros, a nona montanha mais alta do
mundo. Em seguida, a rota acompanha por um trecho a Karakorum Highway, cruza o
Passo Babusar, a 4.067 metros, e desce pelo Vale Kaghan até a cidade de Mansehra.
Depois, volta à Karakorum Highway e passa por Abbottabad, Hassan Abdal e Taxila
até chegar a Islamabad no final da tarde.
Acomodação: Hotel
Refeições: Café da manhã
Dia 21 – 02/07 – Voo de volta para casa
Após o café da manhã, faremos o traslado ao Aeroporto de Islamabad para seu voo de
retorno ao país de origem. Assim chega ao fim a jornada ao Campo Base do K2.
Completar esse trekking é viver uma experiência verdadeiramente inesquecível. É
uma jornada que exige força, resistência e determinação, mas que recompensa cada
passo com algumas das paisagens mais impressionantes do planeta. Estar diante do
K2, sentir a grandeza do Karakorum e atravessar cenários tão remotos faz nascer um
profundo senso de realização.
Mais do que uma viagem, esta expedição deixa marcas duradouras. As memórias das
geleiras, dos acampamentos, das montanhas monumentais e da hospitalidade do povo
local acompanham você para sempre. Ao deixar o Paquistão, fica não apenas a
lembrança de um grande desafio vencido, mas também um respeito ainda maior pela
força e pela beleza da natureza.
1 – Como saber se estou apto fisicamente para realizar o trekking ao Campo Base do K2?
Não é necessário ser um atleta profissional para encarar o trekking até o Campo Base do K2. No entanto, uma boa preparação física é essencial. Recomendamos iniciar um treinamento muscular e cardiovascular ao menos cinco meses antes da viagem. Atividades como corrida, natação e ciclismo são ótimas aliadas para melhorar o condicionamento e tornar a caminhada mais confortável, prevenindo lesões e desconfortos musculares ao longo do trajeto.
Qual é a dificuldade técnica do trekking?
O percurso até o Campo Base do K2 não apresenta desafios técnicos, mas exige bom preparo físico e mental. São 12 dias de caminhada, com médias diárias de 8 horas em terreno acidentado, alternando subidas e descidas. Além do esforço físico, o participante deve estar preparado para o ambiente rústico: não há banhos, não há sinal de celular e é preciso ter espírito aventureiro para lidar com imprevistos.
Enfrentaremos muito frio?
Sim. À medida que ganhamos altitude, as temperaturas variam bastante. Os dias mais frios ocorrem próximos ao Campo Base do K2, onde à noite os termômetros podem registrar temperaturas abaixo de -5ºC.
Qual será a logística durante nossos deslocamentos?
Todos os deslocamentos terrestres serão realizados em vans e veículos 4×4, conforme a necessidade do trajeto. Haverá traslado entre aeroporto e hotel, bem como entre as cidades e vilarejos durante o percurso.
Como serão os hotéis em que iremos nos hospedar?
Durante nossa estadia em Islamabad e Skardu, ficaremos hospedados em hotéis 3 estrelas com café da manhã incluso. Já durante o trekking, o pernoite será em acampamentos, com barracas para duas pessoas e refeições servidas em barraca refeitório.
Posso optar por ter um quarto individual nos hoteis e uma barraca individual?
Sim. Caso deseje um quarto individual ou barraca exclusiva, entre em contato com antecedência para que possamos realizar uma cotação personalizada e informar o valor do acréscimo.
É possível deixar parte das minhas bagagens em Skardu?
Sim. A bagagem que não será utilizada durante o trekking poderá ser armazenada com segurança no hotel em Skardu. Ela estará disponível novamente ao final da expedição.
Há algum cardápio para quem tem restrições alimentares?
Sim. Caso você possua alguma restrição ou alergia alimentar, pedimos que nos informe com antecedência para que possamos realizar os devidos ajustes no cardápio durante o trekking.
Como funciona o processo de aclimatação?
A rota até o Campo Base do K2 foi planejada com ganho de altitude gradual, o que favorece a aclimatação natural do corpo. É essencial manter-se bem hidratado antes e durante o percurso, pois o organismo utiliza a água para se adaptar à altitude.
Há alguma equipe local para nos auxiliar?
Sim. Além da liderança de Moeses Fiamoncini, a expedição contará com o suporte de guias locais experientes, um guia auxiliar para cada três participantes e um carregador para cada duas pessoas. A equipe estará conosco em todo o trajeto.
Como saber se estou apto fisicamente para realizar o trekking ao Campo Base do K2?
Você levará consigo uma mochila de ataque com capacidade entre 45 e 65 litros, pesando no máximo 5 kg, contendo itens essenciais: 2 litros de água, protetor solar, anorak, capa de chuva, luvas, fleece e lanches. A bagagem principal (duffle bag de até 15 kg) será transportada pelos carregadores e estará disponível ao fim de cada dia no acampamento.
Há estrutura para tomar banho?
Não. Durante o trekking não há estrutura para banhos. No entanto, o uso de lenços umedecidos é bastante eficaz para a higiene pessoal ao longo da expedição.
Teremos energia elétrica? Como faço para carregar telefones e câmeras?
Não há acesso à eletricidade durante o trekking. Recomendamos que cada participante leve power banks suficientes para recarregar celulares e câmeras fotográficas.
O Paquistão exige visto?
Sim. Brasileiros devem solicitar o visto de entrada no Paquistão. A solicitação pode ser feita online através do site oficial: clique aqui.
Quais os documentos necessários para a entrada no Paquistão?
Quanto dinheiro devo levar para minhas despesas pessoais?
Recomendamos levar aproximadamente 600 dólares, destinados a refeições em Islamabad e Skardu, gorjetas, passeios extras e souvenirs. Além disso, sugerimos portar um cartão de crédito/débito habilitado para uso internacional e uma quantia em espécie.